quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Barranqueadas do vivente forasteiro: O Costelaço


Buenas futuros leitores deste futuro famoso blog.
Existe um povo ao sul do Brasil que merece um texto em especial hoje. Venho por esses últimos cinco meses trabalhando em uma empresa gaúcha e gerenciado por um típico nativo. É até muito comum diariamente cairmos em intensas bateiras humorísticas com longas jornadas de risadas. Ter riso frouxo em alguns momentos é muito complicado como foi evidenciado no texto "Pura vitamina C", deixar motivo pra um pegaço é um perigo, há de se ter cuidado com tudo o que fala o tempo todo, bobeou vai ser sarreado com certeza!
E para a história gaudéria vamos registrar, num desses finais de semana, saimos da loja e fomos de tropa a levantar acampamento na casa do caudilho. Ja fui recebido com uma explosão do fogo que era despertado em brasas fortes na noite joseense, o lago na frente da casa até registrou algumas ondinhas com a propagação da explosão daquela churrasqueira. "Churrasco de gaúcho começa assim, não ascende a churrasqueira, explode"! A churasqueada que começou explosiva não podeira dar tudo tranquilinho depois... hora de botar as carnes. Diria um amigo pampero que eu tenho "ovelha não é pra mato", e gaúcho não é pra fazer churrasco em grelha, aí complica.
Vai primeiro o frango, depois o salsichão (também conhecido no resto do mundo como linguiça) e chega a hora da mais esperada de todos os tempos, a tal costela! Mas por favor senhores e senhoras, não era uma costela comum, era uma baaaaaaaaaaita costela. Baita também foi a idéia de fazê-la inteira na grelha (se eu acho quem deu a idéia eu mato! rs). Eu como assistente direto do assador ofical de todos nossos eventos, trago a grelha pra perto do peito e o chefe espalha aquele espetaculo bovino (ou vaquino, uma vez que não sabemos se era de boi ou de vaca). Por uma astúcia que nunca antes tinha gozado, percebo num relance a grelha tomando forma de uma rede, devia ser pela costela que parecia estar bem leve! Temos que também fazer lembrança de outro ser que ainda não temos notícias, ele, o protagonista de ter montado uma churrasqueira pré-montada e não ter chumbado a bela arquitetônica em tuas juntas, isso é será um fato muito relevante no decorrer do assado. Alguns minutos de fogo, algumas tulpas brindadas e muita conversa jogada ao ar, sou convocado pelo mestre de cerimônia a auxilia-lo em outra investida sobre a tão esperada costela. Trago outra vez a grelha junto ao peito, dessa vez estava assustadoramente pesada, o reflexo instantâneo diz que se deve responder a força recebida na mesma moeda, o fiz. Detalhe que de um segundo para o outro o vão em que a grelha estava encaixada parecia ter afrouxado, não era possível. Uma das hastes da grelha entorta em minhas mãos enquanto o índio velho brigava feroz e velozmente pra devolve-la as brasas que coloriam a noite, entretanto olha para uma das paredes laterais da churrasqueira pré-montada e não rejuntada uma pequena inclinação fora do eixo, gritei igual a cusco com rabo pisado "olha a paredinha, ó vai cair, a parede!". Banquei o louco da noite ate a física seguir o rumo dop mundo e levar uma das laterais da churrasqueira ao chão. Choveu sal groso, rolou salsichão, saiu voando asinhas de frango e despencava costela por todo lado, o vocabulário num momento desses também não fica tão recomendado a uma publicação como essa (deixa apenas em off).
Passado o semi desastre do costelaço, condenados os culpados e inocentes, sobra pra todo mundo numa dessa. Depois de tudo ainda conseguimos salvar a noite e de um jeito ou de outro saiu a costela gaudéria na grelha paulista e mais um bordão pampeiro, "nunca mais faço churrasco em grelha, é só espeto, é só espeto!".
Uma lenda urbana dessa não poderia ter uma consequência discreta. Segunda-feira, voltando todos pra loja, mais uma semana de desafios metas e trabalho, uma página de noticiário internauta nos avisa que um noivo que estava a caminho de seu casamento morreu após um ataque de sei lá o que. Meu amigo caudilho se levanta de sua cadeira e quase como um grito de guerra exaltado manda pro ar, "casamento de gaúcho é assim, não tem essa de desmainho no altar, já morre de uma vez", aí sim, eu não podia perder essa, "churrasco de gaúcho é assim, não tem essa frescura de virar a carne, ja quebra logo a churrasqueira!"
Como havia falado, não pode deixar barato que será sarreado. Está aí mais uma barranqueada do vivente forasteiro que saiu da Repúblca do Rio Grande.

Abraço forte a todos meu futuros leitores deste futuro famoso blog, e não se esqueçam, se deixar barato vai ser sarreado, e jajá teremos a saga de Sebastiago, o rei do humor, o herói da alegria!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

FUNDACION DEL CLUB CHARRUA

(esq. p/ dir. acima) - Silvio - Yara -Ruben - Aparecido (mi viejo)
(esq. p/ dir. abaixo) -Yo - Camila - Vitoria (hermanita) - Guiomar (mi vieja)

Muito prazer mais uma vez ao futuro grande público deste futuro famoso blog da rede mundial de passatempos virtuais. Traduzindo a letra de um tango eletrônico do trio Gotan que canta "vibro só de pensar na possibilidade de encontrar um rumo diferente", decifro logo de cara este texto. Diferente, esperado, vivido e muito bem aproveitado.

Um dia de folga já é um motivo especial. Dia de folga, domingo ensolarado, ensaios finais de um dia especial. Estender a tenda que um dia foi cenário de um teatro, pegar os espetos que logo logo serão os mais cobiçados por seus acompanhantes, acertar a profundidade e a estrutura da vala pra fazer o caudilho fogo de chão. Um a um os banquinhos vão se acomodando, as cadeiras mais confortaveis demoram mais, são mais cerimoniosas e enfim a mesa vem ser o altar do desfile de espetos, facas, cortes e pratos. Não precisa nem falar que a temperatura deixava cada gole mais saboroso, o abrir das latas foi ouvido várias vezes, só superado pelo ritmo gauchesco, "murguero", charrua, argento, "bersuitero", rioplatense e festeiro que nos levava pela tarde. Nunca antes em momento algum foi tão confortável deixar rolar o que se tocava sem que logo alguma brilhante alma de limitada cultura brazuka viesse intervir com comentarios infelizes, nunca antes um pagode não precisou ser tocado a força, nunca antes se bailou "La Bolsa" por tanta gente, nunca antes fomos tão charruas, argentos, boludos, bairristas, separatistas e unidos! Gente que era cliente, que virou amigo, que trouxe mais gente, gente que entende, que sente, gente pra frente, gente boa, boa gente, "buena onda". A sintonia era tão grande que a família pouco se importou se era a primeira vez, se sentiu até muito melhor do que se fosse com aquela gente que nem precisamos falar, era muito pra comemorar, muita alegria no ar, "vamo a bailar para cambiar esta suerte, si, sabemos gambetear para auyentar la muerte"!

Um momento tão especial não poderia passar sem esse registro. O agradecimento fica gravado pra todo o mundo ver, depois acertamos os direitos de imagem. Outras uruguaiadas, argentinadas, caudilhadas, risadas, espetos, pizzas, empanadas virão, mas o 7 de fevereiro fica na história, ao menos na simplicidade de meus dias importantes, no calendario gustaviano esse é o dia da fundação do Club Charrua, dia uruguayo! Povo vizinho, gente aqui do lado, que de tão igual as vezes nos escapam diferenças, as listras de nossa bandeira são mais largas, a camiseta deles não tem listras, o Gardel deles é de Itacuarembó, o nosso canta como querida nossa capital... Discussões interminaveis, fatos incontestaveis. Temos o mesmo sol estampado, temos duas estrelas no peito, nunca ficamos sem jeito diante de um percalço. Mesmo que se quebre o salto, que o buraco pareça insuperável e que só a "Copa Rota" gardeliana seja o nosso destino, nunca deixaremos de ser nós, de ser de Melo, de Montevideu, de São Jose ou de Buenos Aires.

Ao grande povo rioplatense, pampeiro, caudilho, amigo, saúde!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Muito bom dia aos futuros leitores deste meu futuro famoso blog! Quem disse que não tiro férias, que trabalho demais, que nunca tenho tempo pra nada, que não paro nunca? Arrumei um jeito de tirá-las, no blog! Sim, vejam minha última postagem e olhem a data deste novo escrito digital eternizado pelos ainda desconhecidos seguidores que estavam morreeeeeeeendo de saudades! mais de um mês de férias, agora a coisa ficou séria, voltaremos ao trabalho diariamente necessário.

Durante minhas férias imaginárias com personagens reais, muito pensei, refleti, até um pouco foi vivido de um modo diferente mas nada foi escrito. E mesmo que apenas psicologicamente estava de féiras, mesmo todos os dias tendo as obrigações cumpridas normalmente (exceto escrever no blog), bate aquele sentimento que todo ano o pós-férias nos deixa carregados, assim como taxas impiedosas de impostos. É o imposto de consciência.
A virada do ano, a esperança que nasce tão forte quanto a dor de cabeça e ressaca nos deixa por algum tempo envolvidos nas recordações dos festejos, brindes, alegrias, celebrações e impressões de todo é feliz e nesse ano será sempre assim... mas ressaca, dor de cabeça e euforia passam. E a melhor parte é que mesmo por causas distintas elas tem um mesmo efeito Drummondiano, "E agora José?" Será que conseguiremos cumprir os sonhos de verão? Será que conseguiremos ser pessoas melhores, profissionais mais eficientes, amigos mais agradáveis, companheiros mais completos, seremos mesmo mais realizados? Que o grande público que venha a ter essa leitura e o momento pensando comigo mesmo, que não encarem isso como uma coisa negativa para ficarmos ao relento dos medos, remorsos, fracassos e que o mundo se torna uma grande lamentação. Agora é um momento lindo de encarar o espelho e desafiar aquela imagem projetada na sua frente, afinal, esse é o único e real ser com quem você sempre poderá competir, superá-lo, mostrar as garras e ser mais forte que ele. Porque o ser que reflete é um, o que pensa, o que sente, o que planeja é outro. É um desafio constante de sobriedade com fantasia e há de se buscar o ponto de equilíbrio, pois esse ponto é o que resto consegue ver.
Não podemos perder nossa verdadeira essência, mas devemos melhorar sempre. Não podemos perder os sentimentos, tornarmos seres frios, sem graça. É ilusão pensar que nunca mais sofreremos nesse ano, mas que os impactos serão menores, que a hablidade de se relacionar deve ser aprimorada a cada amizade, encantamento e porque não acreditar em um novo amor? Mas que possamos ser melhores. Mas que cada novo passo da vida não seja para preencher um espaço vazio de um último fracasso ou tentativa de compensação. A única coisa que compensa na vida, é a sensação que realmente compensou tudo o que você viveu.

Coroados de glória viveremos, ou juraremos com glória morrer!